→ 09 Jul 11 at 8 pm
O terráqueo
“A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies de seres vivos, incluindo os humanos.”
Eu, quando criança, em tempos que a internet apenas ensaiava os primeiros passos, sempre desejei saber como funcionavam as coisas, desde o funcionamento de um simples brinquedo, passando por um motor de automóvel e, até mesmo ao de um planeta inteiro. Neste caso, a terra. Os brinquedos, por ora, eu teria a oportunidade de desmontar, para logo ver o que havia dentro, já um motor de carro, seria complicado, embora, com o decorrer dos anos, viria a descobrir em um manual automobilístico de um fusca, como era por dentro os motores, manual este que meu pai deixara a vista e, claro, do qual eu logo me apoderei. Mas e o planeta? Como, poderia eu, com pouco mais de vinte quilos, um metro e vinte de altura, onde, naquela época, contava apenas sete anos de idade, vir a desmontar um planeta inteiro, para ver o que encontraria do lado de dentro? Seria este, em sua grandiosidade, um desafio e tanto, principalmente para mim, o pequenino e curioso ser.
Esta limitação, fora para mim, desde então, um grande problema, do qual minha jovem mente curiosa, talvez, jamais, teria a oportunidade de resolver. À medida que me aproximava da puberdade e distanciava-me da inocência, perceberia cada vez mais que, realmente, era impossível desmontar todo o planeta para ver o que havia dentro. O primeiro motivo era simples: eu certamente, era pequeno demais pra fazê-lo, conclusão esta, que já tomara rapidamente quando criança, por questões óbvias já descritas. Já o segundo motivo ficava por conta de que, em partes, eu, por questões lógicas, já me encontrava no cerne do problema, por, evidentemente estar dentro do planeta, sendo assim, não precisaria desmontar o planeta para saber o que se passava em seu interior, pois havia eu, sabiamente me antecipado. Certa feita escavei um buraco no quintal e, logo verifiquei o que havia debaixo de meus pés e, evidentemente que era terra. Em outra oportunidade, também escavei o chão da praia, em uma viagem de fim de semana e rapidamente me certifiquei de também que havia água. Assim, pude fazer a junção dos fatos e construir minha própria teoria. Asseverei com muita propriedade que só havia água, areia e terra no interior do planeta. Embora soubesse eu que, talvez não houvesse cavado fundo o suficiente e que poderia haver algo como buracos de tatu gigantes. Havia assim uma lacuna em minha teoria, mas ninguém precisaria saber. Conclusão, logicamente para eu saber do resto, bastava sim, viajar e logo saberia tudo, como em “À volta ao mundo em 80 dias”.
Posteriormente, quando eu contava aproximadamente uns treze para quatorze anos, a minha até então conclusão fora ameaçada, surgir-me-ia um novo desafio. Tomei conhecimento de um livro de título “viagem ao centro da terra” de autoria de (Julio Verne), datado do ano de 1864. Neste livro, o Sr. Verne havia proposto a possibilidade, de fato, uma expedição ao centro da terra, e pior, teria antecipado parte de minha teoria, com quase duzentos anos de antecedência. Além de antecipar-me, o Sr. Verne ainda foi além, demonstrou em seu livro possibilidade de uma penetração, possivelmente real, diretamente no amago da questão, com todo um mundo de possibilidades lá em baixo, inclusive dinossauros. Bem diferente de minha curiosidade de desmontar o planeta, que se tornara inviável e muito mais infantil e claro deixava “aos chinelos” a minha teoria, sobre a terra, areia, água e os buracos de tatus gigantes ou mesmo de uma simples volta ao mundo. Resumindo, havia sido cruelmente desmoralizado.
Frustrações a parte, tratei logo de estudar a respeito. Seria possível fazer uma expedição ao centro da terra, mesmo com vulcões placas tectônicas, que até então me estavam sendo apresentados no ensino fundamental? Em uma de minhas pesquisas, alguns anos mais tarde, descobri que alguém, novamente, para o meu espanto, já teria me antecipado novamente, agora nesta nova questão. Tratava-se da celebre e lendária “teoria da terra oca”, proposta por volta do século XVII, pelo astrônomo britânico Edmond Halley, antecedendo até mesmo a Julio Verne, fato este, que não nego, ter me dado o mais notável, gosto da vingança, em cima do Sr. Verne. Então, logo vi que eu não era o único lunático em questão. E para piorar, posteriormente constatei que havia mais alguns excêntricos como: John Clives Symmes, militar americano nascido em Nova Jersey (1818); Cyrus Read Teed (1839 – 1908) William Reed e Marshall Gardner (1913); Ray Palmer; Richard Byrd entre outros. Ufa!
Em seguida às ilustres descobertas que, obviamente, logo as refutei, pois percebi que era impossível, de fato, com tecnologia atual, viajar o centro da terra, uma vez que pressão existente lá em baixo esmagar-me-ia, antes mesmo de eu ser incinerado vivo, devido às altas temperaturas existentes a tamanha profundidade. A partir deste ponto percebi que, sim, havia algo palpável que eu poderia fazer como apontei em minha conclusão lógica, sobre as viagens por sobre a terra, era sim, a mais correta, logo, para descobrir como funcionava esta grande esfera enigmática, me haveria mesmo, de viajar, embora novamente houvesse problemas, dos quais, por sinal, eram os maiores problemas que até então me haviam surgido – maiores até que o meu problema em querer desmontar o todo o globo terrestre.
O grande problema que se presentava para mim naquela altura dos acontecimentos, era o seguinte: os seres humanos. Sim estes presunçosos seres, dos quais eu mesmo compartilho cem por cento de meu DNA, desenvolveram uma técnica de “organização”, para aglomerar um determinado numero de outros humanos, técnica esta chamada primeiramente de grupos, posteriormente tribos, logo, de nações. Baseadas claro em um trinômio: imaginação, organização, egoísmo.
Admito que o nosso sucesso como espécie, se deva em parte, a estas aglomerações humanas, que tiveram seu papel importante durante o desenvolvimento de nossa cultura. Então onde estaria o problema? O problema começa quando, uma dessas aglomerações se acha superior à outra aglomeração. Sim, pois é o que acontece desde que, imagino, tenha se formado a primeira dessas aglomerações. Seria correto dizer então, que tais aglomerações seriam naturais, uma vez que somos parte da natureza? Evidente que sim. Sabemos por exemplo que nossos primos, chimpanzés, que compartilham noventa e nove por cento de seu DNA conosco, também se organizam em grupos, o que lhes garantiu sucesso em sua sobrevivência. Sabe-se também que, na natureza, os animais que, em geral, mais se organizam, obtém melhor sucesso de domínio, perante outros, a exemplos das formigas diante das vespas. Mas não é este o ponto em que quero chegar. Quando critico nossas aglomerações, que se denominam nações pretendo e quero atacar, justamente o ponto que nos difere das outras espécies, fato este chamado discernimento ou “centelha humana”. Este tal discernimento é o que nos permite, por exemplo, estar analisando com maior complexidade os nossos primos chimpanzés e não eles a nós. A centelha humana é o X da questão e que determina a nós os humanos, termos os computadores e eles os chimpanzés, os gravetos. Mesmo que tenhamos surgido, muito possivelmente de um mesmo ancestral em comum. Existe um grande equivoco em um argumento que diz serem os feitos humanos, os atos de transformar o meio ambiente, uma ocorrência antinatural - argumento este evidentemente falacioso, uma vez que estamos incluídos em tal natureza, somos a natureza. Também é fato que, necessitamos de tais aglomerações, para que haja uma organização maior, a exemplo de subdivisões como: estado, município e bairro. Estas organizações imaginárias possuem grandes utilidades, para o dia-dia prático, mas, limita-se apenas a isso.
Acima dos estados, municípios e bairros, voltemo-nos aos grandes aglomerados, às nações; existe uma grande indagação, em minha confusa cabeça, a respeito do que seria uma nação. Por exemplo: o povo judeu; sabemos que é um povo, devido a sua cultura milenar. Cultura esta que permanecera durante séculos, sem uma pátria, ou uma subdivisão de terra imaginária, sendo repatriados recentemente no estado de Israel. Com esta evidência, logo, podemos afirmar que a para que uma cultura em nível complexo sobreviva, não necessita, necessariamente, de uma porção de terra. E, é fato de que, como os judeus, existem outros exemplos e provas, como ciganos e os povos nômades do deserto africano. Assim, podemos dizer que, o conceito de nação, ligado ao território, não passa de uma grade fantasia, uma falácia, em primeira instancia.
Eu tenho a ideia e sempre tive, de que o nacionalismo é um pensamento primitivo e territorialista, não muito diferente ao comportamento de um Lobo, por exemplo, este que, demarca seu território, urinando as extremidades de uma determinada área, a qual decidiu, por questões de sobrevivência, determinar ser sua. Penso que, o que nos difere dos lobos neste quesito é que, não urinamos nas extremidades de nossos países, nossas áreas, mas sim, determinamos por meios imaginários, que existem, de fato, divisões territoriais chamadas países. Não obstante esta condição em nos os humanos, desta, digamos que, “doença mental”, chamada nacionalismo, resquício atávicos de nossos ancestrais “urinadores” de territórios, semelhante, hoje, a uma psicose, onde o individuo fantasia algo como existente, uma vez este algo que não existe, e inclusive, é capaz de matar para defender seu ponto de vista, fora obviamente da realidade. Este se trata de um dos fatores que nos impede do progresso, como um povo único, de um único planeta, onde se enquadram como habitantes, não só nos os humanos, como todos os outros animais e plantas, por direito adquirido, de aqui estar. No passado ainda poderíamos nos justificar quimicamente, devido nosso olfato, que evidentemente, era mais desenvolvido no passado e também por nossa falta de discernimento. Mas e hoje, como nos justificaríamos? Se parar para uma análise panorâmica e detalhada dos conceitos relacionados ao que diz respeito a nações, ficará logo assustado com tamanha, digamos, falta de maturidade e de burrice, sem quer, claro, ofender nosso amigo equino.
Hoje, as subdivisões países, se distinguem por algumas características, classificadas entre duas vertentes, são elas: países “desenvolvidos” e países em desenvolvimento. Classificação esta, extremamente tendenciosa, há de se concordar, uma vez que, um país, se autodenomina (desenvolvido), logo, está colocando-se em patamares superiores em excelência, condenando a todo o resto (não desenvolvidos) a submissão sistemática, uma vez que é o detentor dos segredos do sucesso. Atualmente com advento da internet, não precisamos viajar tão longas distancias, para saber que tipo de “ego inflado” esta ideia de “desenvolvimento”, gera em indivíduos “desenvolvidos” de determinados países “desenvolvidos”. Já em países em desenvolvimento, acontece o oposto - alastra-se o complexo- de-inferioridade, perante os “desenvolvidos”. Com tendência a aceitar e abaixar a cabeça, aceitando tudo, de uma forma, relativamente passiva o tudo o que é derivado de tais “capitanias celestiais”. Com isto, acontecem revoltas, das quais se derivam conflitos e guerras, onde uma maquinaria chamada de armas - criadas nos primórdios para caçar animais, devidos o problema da alimentação. Estas mesmas armas, hoje aprimoradas, construídas e utilizadas por a sub- aglomerações de humanos, chamadas: exercito ou executores. Assim a tecnologia desenvolveu-se a níveis inimagináveis, nos deixando perto de uma eminente extinção via artefatos atômicos no que chamaram os humanos de guerra fria. Sempre caminhando nesta dicotomia, ao mesmo tempo em que avança para um lado, retrocede par o outro, pois não se visa o progresso do todo, mas sim o progresso de um só aglomerado, um só país e, para a destruição e ameaça aos outros aglomerados de humanos, estes que, por sua vez, imaginam ter de defender também suas fronteiras- imaginarias.
Para piorar ainda mais, uns aglomerados que se diziam pacifistas, após sofrerem com grandes guerras, não mais permitem que indivíduos de outros aglomerados, invadam seus territórios imaginários, para fixar residência, como imigrantes. Principalmente os aglomerados “desenvolvidos”, que imaginam em suas alucinações, que logo se desestruturariam, com uma invasão dos não desenvolvidos. Assim, os chamaram de “ilegais” e inventou-se a deportação, ato que manda de volta o sujeito a sua demarcação imaginária de origem. Com exceção de alguns, que seriam descendentes do aglomerado em questão. Ora, mas então me pergunto, se são mesmo desenvolvidos, porque o medo? Conclusão ainda mais óbvia se pode obter da seguinte reflexão: se todos os humanos demandam de um ancestral em comum, logo há de se concordar que, todos somos descendentes um dos outros, não de aglomerados, mas sim da espécie como um todo.
Bom, mas claro, há uma explicação para isso, vejamos; alguns humanos de ambos aglomerados, “desenvolvidos” e em desenvolvimentos, pasmem, acham que existem raças humanas, devido à diferença de pigmentação da pele e algumas questões estéticas como: formato dos olhos e tipo capilar. Assim, inteligentemente, conseguem desenvolver, mais um tipo de psicose, chamada: racismo. O racismo implica basicamente em medo de misturar-se com determinados tipos de humanos, com características superficialmente diferentes das suas ou pensar, equivocadamente, pertencer a um tipo especial de humano, o que é, evidentemente, um absurdo. Com tudo, assim o fazem, mesmo que tal atitude desafie a própria razão e lógica.
Para finalizar, falarei de algo, que sustenta e da força a toda esta psicose-coletiva, veja você: nos os humanos criamos algo, inteligentíssimo, diga-se de passagem, algo celeste, chama-se: dinheiro - o dinheiro é um valor de troca, geralmente um pedaço de papel o qual determinamos seu valor perante alguns objetos dos quais desejamos consumir. Esta criação um tanto esquisita, para não dizer bizarra, embora tenha certa praticidade, deu origem ao que chama-se hoje de capitalismo selvagem, onde um mero rabisco ou imagem capturada, por exemplo, podem valer milhares de notas de papel, ou mesmo dígitos em telas de maquinas chamadas de computadores localizados em instituições denominadas bancos. Estes mesmos dígitos que os humanos fingem trocar e fingem também existir, que igualmente ao papel que pode comprar coisas, viagens e etc. O capitalismo ocasiona um fenômeno curioso – a pesar de beneficiar alguns humanos por mérito, beneficia outros por deméritos, ou beneficiam de mais a uns e prejudicam demais outros, com isso alguns humanos até morrem de fome, isso quando não partem para violência com o objetivo de furtar o papel de outra pessoa. É nesta atmosfera, então que surgem então os movimentos “intelectuais”, com objetivo de igualar e “demonizar” os “desenvolvidos”, como sendo estes culpados pela desgraça subdesenvolvida, das quais os menos privilegiados se encontram, gerando assim, por sua vez, um maniqueísmo, mais doente e bizarro, do que própria ideia de nacionalidade, como por exemplo, socialismo, nazismo e fascismo. Ambos claros, descambando para o genocídio em massa. Um aglomerado se levanta contra os outros, julgando-se merecedores da prosperidade eterna, apoiados, claro por sua demência nacionalista e senso distorcido de justiça, derivado de uma ética capenga que valoriza demarcações imaginarias e desencadeia conflitos guerras como descrito anteriormente.
Com todas, essas armas “intelectuais” e outras mais, os humanos sustentam a suas ideias sobre nações e impedem, como apontei no inicio do texto, em minha conclusão, a oportunidade de eu andar livremente pela terra, sem ser expulso por algum humano que enxerga linhas imaginaria na terra ou por não ter um número de papel suficiente para mostrar que não quero permanecer em outros aglomerados imaginários de humanos.
Quando eu era pequeno, eu sempre me indaguei, ao olhar para um mapa-múndi, quem é que havia rabiscado o globo daquele jeito? Mas, claro em minha ignominia, imaginava que só pessoas dotadas das mais altas qualidades intelectivas, pessoas sábias e inteligentes, isso em minha visão de criança, pudessem telas rabiscado daquele jeito e, só os mesmos poderiam ver tais linhas, das quais eu em minha insignificância não poderia ver. Mas com o passar dos anos, mais adiante, no decorrer de minha breve existência, da qual conto, apenas, vinte e oito anos, finalmente percebi, havia acometido um terrível engano. Em verdade, somente podem ver as linhas imaginárias os loucos e os burros. Assim, eu, nunca saberei o que há no interior da terra e, por conta dos mesmos loucos e burros, também não saberei o que há por toda a sua superfície, a não ser, saber que, de fato, há mais loucos e burros espalhados por todo o globo, do que os lúcidos, que raciocinam.
ObS: Texto sob revisão.

