→ 06 Mar 11 at 3 pm
Resquício de infelicidade
(Rascunho de pensamento… 05h35min da manhã).
Hoje estava raciocinando a respeito do passado. “Existem pessoas e pessoas”, como sinaliza o dito popular - e dentre estas pessoas entre estes estereótipos que podemos observar, ou analisar, se destaca em minha percepção um tipo em particular que viria a ser: “pessoas que não esquecem”. Em suma, somos seres estritamente constituídos de memória, tanto no cérebro quanto na mente. Sim na mente, pois se sabe que a mente não é produto do cérebro. Não vou entrar em detalhes, devido a complexidade do tema, mas o que aponta a ciência, ou ao menos uma parte dela, afinal, cientista é uma coisa, ciência é outra. Um cientista não possui autoridade em falar em nome de toda a ciência, que claro, possui diversos campos de pesquisa e que muitas vezes, costumam discordar entre si e possuir pontos de vista opostos, diante do mesmo objeto de pesquisa. Sendo assim, o conceito de “mente”, vem cada vez menos, sendo atribuído ao cérebro e, isto significa efetivamente, que temos dois tipos de memórias:“as cerebrais”, e as “não cerebrais”. Podemos afirmar então, que a nossa consciência é constituída de memória. Existem inúmeras teses a respeito da constituição da mente ou alma, como a tese das (vidas sucessivas). Teses esta que assevera ser a consciência produto de enumeras existências. O que explica muita coisa, mas não é a este o ponto que quero chegar, ou mesmo discorrer sobre neste post.
“As pessoas que não esquecem”, estereótipo classificado por mim neste texto, são basicamente, pessoas que “fixam” determinados fatos em mente, mas não de maneira mnemônica comum, mas sim de maneira patológica, transtornada ou paranoica e até mesmo psicótica. Nossa memória em suas funções de base, ou seja, em suas funções básicas, possuem a função de auxiliar o individuo a recordar-se de fatos, para que possa repeti-los, ou não. O aprendizado humano é baseado neste principio. Logo todo armazenamento de memória ajuda o sujeito a ter um juízo crítico, estruturado e centralizado, em dois polos: “O que me faz mal” e o que “não me faz mal”.
Partindo dessas premissas, a regra é simples:
O que me faz bem pode e tem a tendência de se repetir.
O que me faz mal pode e tem a tendência de não se repetir.
Logo, aprendo; o que preciso e o que não preciso.
Até mesmo na biologia existe este principio o que explica o aprendizado automático- animal, realizado por repetição dos fatos, que nos animais menos racionais, se encontra mais acentuado, informações gravadas no DNA, que automatizam determinadas tendências do animal, o que se vem a denominar como (instintos). Que mais tarde, será seu código de conduta, digamos uma diretriz de como proceder para sobreviver. Sendo assim, lembrar-se é um fator natural, primordial e biológico.
Quando se trata de humanos, a coisas se complica, pois humanos são dotados de raciocínio, lógicos e abstratos. Os seres humanos logo na infância aprender a distinguir a si próprios, a se localizarem no mundo, cria-se então o ego, de acordo com a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. O ego que vem a ser o (Eu), aquele que quer aquele que exige aquele que diz que é seu. Aquele que não possui limitação, ou seja, o ego é o desejo da criança, o choro a vontade.
Posteriormente, os bebes prendem a separar o que é a mãe, o que é ele, o que são as outras pessoas, e oque é ele. Aprendem limites, e que no mundo existem limitações. Com esta base, o bebe humano desenvolve algo chamado “Superego”. O superego é caracterizado por três objetivos fundamentais com três objetivos fundamentais:
1. Inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso contrário às regras e ideais por ele ditados (consciência moral);
2. Forçar o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional) e
3. Conduzir o indivíduo à perfeição - em gestos, pensamentos e palavras (ego ideal).
Seres humanos além de serem dotados de autoconsciência, são também dotados superego, juízo critico. E este é o principio básico da afetividade humana. O sujeito quer, deseja, possui e claro adquire zelo, apego, logo sentirá mais tarde o medo, receio de perder. Com isso a ideia de perfeição passa a constituir seu julgamento, diante dos acontecimentos, logo estará sujeito à frustração, seguida da culpa.
Este medo de perder é o que move as relações humanas, pois é baseado no “principio da aprendizagem”, citado anteriormente, que diz:
“O que me faz bem pode e tem a tendência de se repetir.”
Então se tenho zelo, por algo, ou por alguém, isto significa que se eu vir a perder esta condição, esta convivência, logo me fará mal, pois o ego exige e superego te pune. Por tanto é absolutamente normal o medo da perda, ao contrário do que se pensa por ai… A insegurança, não pode ser vista como fator exclusivamente negativo. O problema não é sim a insegurança, mas oque gera uma insegurança excessiva. Podemos afirmar, com base nos fatos, que a afetividade humana é sim aprendida, não é um fator de romantismo, é cognitivo. Mas como tudo na natureza, existe uma medida que divide o que é excesso e o que não é.
Um comportamento excessivo costuma ser classificado pelas ciências da psicologia como “transtorno”.
Um transtorno é:
“Transtorno tem por característica um comportamento que exprime contrariedade, decepção, marcada por atitudes que revelam desarranjo ou desordem neurológica”.
“Em alguns casos, essa terminologia pode ser empregada, também, para referir-se a uma ligeira perturbação da saúde.”
No caso, aqui, especifico, de “pessoas que não esquecem”, podemos dizer que se trata de um tipo de “transtorno mnemônico”. Isso significa que são pessoas que fazem confusão com seus valores de aprendizado, entre o que faz bem e o que faz mal. O sujeito passa por determinada situação ruim, e passa a valorizar o fator desagradável de maneira compulsória e repetitiva, por conta do seu juízo critico do superego, que por algum motivo não funciona como deveria.
A pessoa, por exemplo, termina um relacionamento, e não consegue esquecer, ou não consegue diminuir a importância do fato em si, ou da pessoa em questão. O tipo de foco desta defasagem cognitiva, pode se dar aos mais variados campos da afetividade, como quase sempre estão nos relacionando (amorosamente) com outras pessoas, acaba sendo uma das principais ocorrências, o mais comum. No entanto, podem ocorrer em outros departamentos da vida, com parentes, amigos, animais, objetos e etc. Sabe-se através de estudos, que uma pessoa pode deformar suas percepções na infância, período quais, são formadas, constituídas. Os agravantes, ou motivos são diversos, desde autoritarismo a ausência de “não”.
Estas deformidades perceptivas ficam absolutamente claras na idade adulta. Prejudicando, claro a vida do individuo.
A dificuldade de lidar com a perda, faz da realidade um grande lamaçal, cujo qual, você está situado, contra sua à vontade, muitas vezes sabe que está e não pode fazer muito, ou absolutamente nada a respeito, a não ser não esperar que passe, ou que haja uma substituição de valores, geralmente com outro tipo de objeto, situação ou pessoa.
Existem apontamentos com base na teoria das vidas sucessivas que apontam que esta deformidade poderia ser de origem remanescente, ou seja, possuir uma raiz mais profunda, ligada a algum trauma do passado de outra existência, que foi acentuado na infância desta ultima vida, devido o temperamento da personalidade sucessiva, que não poder totalmente duas inclinações ao mudar de corpo.
Independente das causas, que são objeto de estudos para especialistas, a deformidade de juízo crítico é um fato.
Existem algumas comorbidades, ou efeitos colaterais, ou compensações, devidos o mecanismo de defesa, que atua para contornar o déficit. Por exemplo, o isolamento e o evitar relacionamentos afetivos, o que claro, resultará em outros tipos de problemas.
Sendo assim, se você possui tais características, sua vida deve ser um tanto escatológica. Mas isso não é o fim do mundo, você pode levar sua vida ignorando tudo que vem da sua mente, como lembranças afetivas, e tentar separar o que é prioritário, e o que não é, ou aguentar as pancadas mnemônicas que vai sofre ao viver, ou tentar viver normalmente. Não vai resolver claro, sentimentos como; saudade demasiada, frustração ou ansiedade. Mas ao menos ter conhecimento de causa, destrói os resquícios de infelicidade que você pensa ter, mas na verdade não tem. O auto-enfrentamento perece ser a melhor saída.
Resumindo, sua vida pode se transformar em um inferno, se você se deixar levar por tais sensações, por tanto seria interessante prestar atenção nos tipos e padrões de pensamento que você costuma ter. Medidas racionais sempre ajudam.
Alguns dizem que grande “X da questão”, para ajudar a burlar essas fissuras de personalidade, é: Esqueça-se de você. Pense em algo mais interessante. Nos outros por exemplo. Com esta conduta, você adquire a habilidade de lhe tirar do foco, dos seus próprios holofotes. Claro que pode, dependendo ponto de vista, ser uma tapeação, mas às vezes resolve. A meu ver não é uma tapeação, pois o altruísmo é a real dissolução do ego, quando feito de maneira a não querer beneficiar-se das ações que visam o coletivo.
Hoje em dia nos condicionaram a confiar nossas próprias fraquezas, na ciência. Está tendência nasceu com o fato de que hoje, a ciência, ganhou espaço na sociedade moderna, como no passado a religião e a filosofia obtiveram. Campos da Ciência, como psicologia e nasceram de uma revolução chamada Sociologia. O movimento sociológico vem surgir para, aparentemente suprir as “lacunas” deixadas pela filosofia e religião. E claro que o idealismo está diretamente ligado a isso. Por quê? Simples, o socialismo surge anteriormente a isso, com a proposta de mudar o mundo, criar um mundo melhor, com isso, todo um movimento intelectual se desenvolve juntamente. Eu como bom pessimista que sou, vejo este movimento ao mesmo tempo, um avanço e um retrocesso. Avanço no sentido de renovação, retrocesso no sentido de dependência. Mas se mergulhar na antropologia dos fatos verá que os idealistas trazem a tona o existencialismo pré-socrático, que não possuía um caráter de mudar o mundo mais era mais pragmático.
Com o resultado desta dependência, a cultura da saúde mental, tornou-se um comercio, uma indústria. O aprendizado do pensar é mais uma vez substituído, uma vez que alguém pensa em seu lugar, no caso os psicoterapeutas, psicólogos e etc. Ora, me diga se isso não é o mesmo que uma religião, uma crença? Obvio que sim. Assim como no passado predominou a religião no mundo no passado, hoje se dissemina as ciências sociais, para suprir as lacunas deixadas na sociedade. Para mim é absolutamente claro, quem tem um idealismo exagerado, aponto de querer mudar o mundo, logo possui a mesma fissura do superego, a mesma deficiência cognitiva, ausência total, ou parcial de juízo critico, que tenta adaptar o mundo a si próprio, de acordo com sua visão de mundo melhor.
Consequentemente, acreditar que alguém resolverá seu problema de ordem psicológica tornou-se cultura. Não estou aqui, negando a eficácia da medicina ou das psicologias não é isso. Estou apontando o dedo, desmistificando o fato. Todas essas terapêuticas, são baseadas no principio do idealismo, da “felicidade”. O que para mim não se difere do idealismo do passado, e não se difere da distorção do juízo critico.
Não adianta tentar dizer não há problema, pois é um fato. Há problema sim, e é responsável por muita desgraça no mundo. Para quem não se interessa por estudar o que é realmente o idealismo, não se dá conta do quanto pode ser nefasto este conceito quando interpretado de maneira superficial.
O idealismo é simplesmente um conceito que te joga além das suas capacidades, que te faz acreditar que o futuro será melhor que o presente. Ora, se isso não é tapeação, não sei o que pode ser, pois acreditar que pode ser melhor, não significa efetivamente que você será. Se se for, não a custo de nada, sempre existe um caminho de pedras até chegar a um ponto ideal, que ao ser alcançado, vai exigir outro e outro e outro ideal. O idealista é insaciável, para ele nunca estará bom o suficiente. Para derrubar o conceito idealista, basta pensar que a evolução é progressiva e exponencial, por tanto, não existe reducionismo na própria ideia de evolução, o que torna idealismo falso.
A vida humana é caracterizada por inteligência, memória e raciocínio, podemos então dizer que, para uma pessoa viver normalmente, ou em de maneira saudável, como humano, ela precisa experimentar, lembrar e aprender. Como explicado anteriormente. Na sua existência o que determina efetivamente o sentido da vida é o “agora”, o fato. O fato é o que determina tudo, pois sem fato não há memória, pois não haveria do que se lembrar. Posteriormente ao fato se tem a lembrança do fato, logo o raciocínio, como proceder diante dos fatos e somente depois é que se pode conceber o futuro, hipoteticamente.
Se o fato é o pivô de tudo, então o passado passa a ser secundário, e o futuro que ainda não existe, também. O que coloca o fato como peça central da vida. Se o fato é peça central da vida, logo o fato é mais importante. Por ordem de importância, definimos então:
Presente, passado e futuro.
Não existe outra forma de se viver, qualquer outra interpretação é meramente uma falácia. Contudo, parte das pessoas, vive em função do futuro, o que é um erro grotesco, pois o futuro não existe. Outra parte destas pessoas vive no passado, o que também não está correto.
Já os que vivem apenas o presente, também estão errados, pois na ordem de importâncias, não existe apenas uma importância, mas sim três. Cada uma com seu respectivo papel, com antes explicado.
Presente, passado e futuro.
Voltando a o idealismo, podemos sim dizer que ele é nefasto, pois te cria falsas expectativas, hipotéticas, baseadas no passado e projetadas no futuro, anulando o presente. O grande problema, diante da cultura idealista que se criou para maioria das pessoas, não é nem o idealismo em si, mas agora sua ausência. Os valores humanos são absolutamente distorcidos. Por quê?
Simples, sem idealismo, sem religião, sem estética, sem arte e sem ciência, a vida humana torna-se efetivamente vazia, em bom português: uma “merda”. Por conta do abrupto contato direto com a realidade, que é o eu, que é estritamente baseado no fato.
O contato com o eu, com a realidade, como ela realmente é, sempre será aterrador, sempre. Encarar a vida como ela é, não tarefa fácil, por este motivo inventamos todos estes aparatos, como mecanismos, para nos defender de nós mesmos.
Se observar refletido no espelho é fácil, mas como seria se encontrar consigo mesmo face a face. Nos na vida, criamos tantas camadas em torno da realidade, que podemos dizer que nos vemos a maior parte do tempo em um reflexo. Reflexo este que não corresponde à realidade.
Este problema vem desde as antiguidades, não é um problema estritamente moderno. A pesar de estar mais acentuado, nos tempos modernos, devido o tipo de sociedade que se constituiu, quase que toda estruturada na cultura do “possuir”.
Veja por exemplo, a lenda da Medusa na mitologia grega. A medusa é uma Górgona, um monstro cujo qual, não se pode olhar diretamente para seus olhos. Quem usa olhar diretamente para à medusa é instantaneamente transformado em pedra.
Podemos interpretar aqui a medusa como sendo o eu interno, e a transformação em pedra como sendo o encontro frente afrente consigo próprio.
A lenda diz que quando Perseu decapita a medusa, ele não olha diretamente para seus olhos, ele usa um escudo, que reflete a imagem da medusa. Ele olha para medusa, mas não diretamente, com isso consegue se aproximar dela e assim, o feito de poder mata-la.
Até mesmo na Grécia antiga, já se sabia que colocar-se frente -a - frente com sigo mesmo, era um feito arriscado de mais. Tornado o reflexo de si mesmo um processo inevitável para poder olhar diretamente para o seu pior.
Eu criei uma frase que diz o seguinte:
“O segredo da felicidade, é entender que felicidade não existe.”
Isto significa, apesar de ser um paradoxo, que, de fato, não existe felicidade . Não existe um ideal - a perfeição - mas existem adversidades, sempre. A partir do momento em que você admite a não existência da felicidade, seu bem estar pode aumentar, ou simplesmente se degradar, sim, pois retira as suas expectativas fictícias, e o que lhe resta é a vida como ela realmente é, baseada em fato. Todo cuidado é pouco, quando seus alicerces são substituídos - pode haver uma implosão.
Partindo desde principio, cabe dizer que a vida pode ser uma merda, e claro pode ser interessante, depende do momento, do fato, do tipo de experiência, que vai determinar suas lembranças e vai definir o que quer que venha a ser o seu futuro, que pode ser bom ou não. Não se deve ter medo do lado ruim da vida, ele existe, é real, faz parte viver o ruim. Assim como o bom. O agradável, também é real, palpável, independente das suas fissuras de personalidade, enganar-se o tempo todo, não vai mudar os fatos, não irá mudar absolutamente nada. A vida é esta dualidade, entre bom e ruim, e ambos são importantes para seu aprendizado e para sua vida.
Obs.: sob-revisão.
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