→ 01 Mar 11 at 5 am
O “Pessimista”
Existe sim, uma grande confusão difundida na sociedade moderna em torno do que se determina como “pessimista”. Penso eu que, este equivoco, aconteça por motivos adversos, entre eles os culturais, antropológicos, filosóficos e até mesmo teológicos. A sociedade possui no seu senso comum, o hábito, inconsciente, de classificar o “otimismo” como um conceito totalmente “benéfico”, ou algo pré-estabelecido como bom, fato que é no mínimo, a meu ver, questionável. Ora, mas porque questionável ? Simples, basta se perguntar: Será que elas (as pessoas) ao menos estabelecem, ou sabem estabelecer, um conceito real ou crítico e racional de otimismo e pessimismo?
Ao longo da história, tanto na filosofia, quanto na religião, conseguimos perceber a maneira tendenciosa com que se determina e fixa o conceito de otimismo, neste caso, podemos entender otimismo, como idealismo, pois no conceito histórico passam facilmente como sinônimos.
A religião (ocidental), em particular o (cristianismo e o judaísmo) determinou que; se você acreditar e tiver fé, que “tudo vai dar certo”, pois existem “forças superiores” as suas, que irão privilegiar-te, uma vez que venhas a se submeter, seguindo o que é proposto e pré-estabelecido por determinada doutrina. Não é preciso dizer que este tipo de pensamento é construído, falso, falacioso, pois efetivamente ignora qualquer lógica racional. No entanto a religião vai um pouco além da fé, passa a ser um fator determinante para criação de povos. Sim, a religião cria os povos, por mais estranho que isso possa parecer. Qualquer outro tipo de povo que se tentou criar fora da religião, acabou por terminar em (genocídio). Podemos citar como exemplos a revolução francesa, o socialismo e o nazismo. Verdadeiros monstros idealizados em laboratório, em detrimento da religião. Posso dizer com absoluta certeza, que a religião é um mal necessário, ou ao menos foi. Sendo assim dividimos aqui a religião em dois polos, o contexto histórico e sociológico e claro o contexto (fé). Agora, nos dias atuais, quem permanece no contexto fé e segue este tipo de pensamento, geralmente são pessoas sugestionáveis, que preferem ser condicionadas, guiadas ou conduzidas. Justificam qualquer tipo de lógica baseado no fator fé, que sem maiores aprofundamentos, trata-se de um conceito subjetivo, ou simplório. O condicionamento pode acontecer por diversos motivos; pode ser passado de geração para geração (de pai para filho) ou simplesmente feito através de uma “lavagem cerebral” ou doutrinação.
O fato de ser doutrinado, não significa exclusivamente que a pessoa seja ignorante, tenha QI baixo, ou algo tipo. Muito pelo contrário, dentro das Seitas religiosas, existem, sim, pessoas “inteligentes”. Estes que, quase sempre, assumem cargos de liderança, dentro da instituição. Claro que a sua maioria esmagadora, são de pessoas, digamos com pouca criticidade, como pouca educação formal, o que facilita a persuasão fervorosa e apaixonada do doutrinador.
Sendo assim, onde estaria então o problema da religião?
O problema está justamente no discurso religioso, na retórica, na manipulação. O discurso religioso atinge justamente o ponto mais vulnerável da pessoa, que é a incerteza. A religião oferece a certeza de que haverá algo de “bom” destinado ao sujeito. Oferece-lhe justiça e paz eterna, centrada em uma verdade absoluta denominada (Deus). Até este ponto seria até tolerável, uma vez que se trata apenas de uma subjetividade, sujeita a diversos tipos de interpretação. No entanto, seria este o menor dos males, caso o verdadeiro “veneno” da religião, não fosse o (sectarismo). À pessoa não tem opção, ou segue o que lhe é imposto, ou grave serão as consequências. O que é pregado como amor incondicional, na verdade não é, pois há um preço. Isso torna o idealismo religioso totalmente falho e condicionado, eu diria. Simplesmente você não pode pensar por si, isso é condenável para doutrina, que insiste em manipular as consciências da forma que bem entende, baseando-se em interpretações do passado, heranças de uma memória e literatura coletiva e também de costumes, na maioria, se não em todas às vezes, extremamente primitivas e autoritárias. Hoje se defende em alguns estados soberanos o dito “estado laico”, que na minha opinião só existe no papel. Não existe estado laico, até mesmo porque os valores morais de uma sociedade possuem, sim, fundamentos na religiosidade. Claro que existem pessoas não religiosas, mas mesmo estas sofrem influencias morais pré-estabelecidas pela moral religiosa que constituem as bases de (todas) as nações, uma vez que religião cria povos. Por este motivo eu dividi anteriormente a religião em fé e história. A religião surge pra desenvolver a moral de um grupo, isso não é tese minha, basta estudar os homens primitivos que você mesmo constatará que a religião é à base da moral moderna, o divisor de águas ente o homem animal e o homem civilizado.
O sectário está por toda parte na sociedade, mesmo entre as pessoas que não são devotas, ou frequentadoras de Seita religiosa, mas que possuem algum tipo de crença ou fé, em um ser supremo, claro.
Existem expressões comuns na sociedade, carregadas deste tipo de discurso, como:
“Se Deus quiser”, “Deus quis assim”, “está é a vontade de Deus”, “aconteceu assim porque Deus quis”, amém e por ai vai…
O discurso da religião está diretamente ligado à definição de positivo e negativo (bem e mau), definindo na sociedade o que pode e que não se pode fazer. Mas além dessa predeterminação antropológica, vemos que existe uma outra, que é determinação irrevogável, aquela que está escrita e que é a verdade pregada. À pessoa que segue esta linha de pensamento, atribui totalmente os acontecimentos da sua vida á uma força maior, sendo estes acontecimentos negativos ou não. Pensando em termos de praticidade é um caminho bem menos tortuoso, sim, pois isenta a pessoa de qualquer responsabilidade sobre a sua vida e seus atos. Uma pessoa que vive este tipo de realidade pode sim se frustrar menos, por mais absurdo que isso possa soar, pode e ser bom. No entanto a pessoa anula seu senso crítico, perde a capacidade de pensar por si própria, perde também a oportunidade do autoconhecimento.
Agora veja como as pessoas utilizam (bem e mau) e (bom e ruim). Geralmente pessoas religiosas são mais apegadas sim ao termo (bom e mau), pois como dizia Nietzsche, este é o discurso dos fracos. Sim, pois a relação entre (bom e mau) é diferente das relações entre (bom e ruim).
Ex: Meu adversário é ruim.
Isso significa que ele é inapto, não funciona, não sabe lutar.
Agora veja a diferença do discurso bom e mau.
Ex: Meu adversário é mau.
Significa que ele é perverso, é injusto.
O impacto do discurso dos fracos é simplesmente avassalador, pois uma vez que o forte sente culpa, ele não é mais forte, seria como se o “lobo se ternasse ovelha.” Torna a pessoa suscetível a ser doutrinada por um discurso religiosos que diz:
“quem é bom terá o reino dos céus, e quem é mau, terá o inferno, as trevas.”
Por tanto, o discurso dos fracos é extremamente persuasivo, porem repleto de fissuras e de falácias. Nietzsche criou estes estereótipos de fraco e forte, para demonstrar que na sociedade onde as suas bases são constituídas por um discurso da metafísica, ou religioso, possuem um peso determinante entre quem vence e quem perde. No caso a moral vence a não moral, justamente por mexer com a consciência, fazer o sentimento de culpa.
E o custo-benefício compensa se submeter a religião?
—Depende da pessoa.
Para pessoa que realmente venha a absorver o discurso sectário da religião, conseguirá seguir sua vida, digamos que mais suavemente, devido o “efeito bengala” que a religião propicia.
Agora, para uma pessoa que não aceita o discurso sectário, ou está em cima do muro, pode ser que não tenha o mesmo efeito. E pior, pode ter um efeito reverso. É comum ouvir de algumas pessoas não devotas, mas que possuem alguma crença, coisas do tipo:
“Porque Deus fez isso comigo”?
Este tipo de afirmação é compreensivo, devido à frustração causada por uma fé religiosa pífia. Como a pessoa não teme á Deus, ela o questiona. Claro que há exceções, por exemplo, o religioso pode vir questionar a divindade, e o não devoto não. Mas em sumo, o discurso religioso, para ter efeito, não deve ser aceito pela metade, ou você aceita ou não aceita, isto independe da fé.
Outro fato comum é encontrar “ateus”, que atacam ferozmente quaisquer manifestações religiosas, como se tivesse uma espécie de recalque, por não ter sido favorecido pela tal divindade, o que é bem curioso, (para não dizer cômico). Costumam frequentemente afirmar coisas como:
“Se Deus existe, porque existe fome, pedofilia e guerra?“
O que demonstra uma imaturidade sem tamanho, que em minha opinião, seria como o filho que afronta o pai por não ter seus caprichos atendidos.
Já na história da filosofia o positivo e negativo é muito indefinido, seguindo por variadas óticas ou linhas de pensamentos. Por exemplo, Diógenes, na filosofia clássica, dizia que não ter nada era positivo, pois não gera uma frustração, caso algo fosse perdido. Se ele nada possuísse, então não poderia nunca se frustrar com nada. Já Epicuro defendia que estar como pessoas que você gosta, era positivo e que ninguém precisaria ter mais que o necessário para alcançar a felicidade.
Mas os filósofos que definem mesmo, a forma de pensar de grande parte da humanidade são dois filósofos: Platão e Sócrates. Que são determinantes em uma linha de pensamento metafísica, que diz:
Platão: “Existe um mundo, além deste mundo, onde a pensamento é superior ao corpo, o chamado: mundo das ideias”.
Sócrates: “em diálogo com Glauco; pense que no mundo em que vivemos como se fosse uma caverna, e o mundo que vemos através dos sentidos é apenas uma imagem projetada na parede da caverna por uma fresta de luz vinda de um único buraco. Tudo que vemos é uma projeção de realidade na parede da caverna”.
Este tipo de interpretações são extremamente perigosas, pois são mono ideias, visões tendenciosas, que possivelmente serviram base para o discurso religioso ocidental.
Uma linha ideológica que fundamenta a construção de uma imagem e de realidade ideal, que nega o mundo e direciona toda importância para o mundo sobrenatural. O que da margem para interpretações fanáticas. Esta linha é bem diferente dos filósofos pré-socráticos, que pensavam justamente o oposto. Eram muito mais realistas, apesar de utilizarem mitologia para interpretar o mundo. Fato que era feito de caso pensado, não como crença, como se pensa, mas sim como uma forma poética de interpretação do mundo. Nesta linha, não existe criação e sim o fluxo da vida o (mínimo), que dentre varias sugestões chega-se no tempo. Trata-se do contexto em que todos estão inseridos em uma grande transformação, e o que vale é mesmo o aqui e agora.
À filosofia moderna vem jogar uma pá de cal na nesta tendência, podemos citar Artur Schopenhauer e Frédéric Nietsche como uns dos defensores combatentes do idealismo ou niilismo, que tiveram a coragem de desbalizar o banal, tornar o discurso religioso questionável, estranho e ultrapassado. Tomando o caminho do contra fluxo, ou “pessimismo”. Principalmente Nietzsche, pois Schopenhauer tinha influencias na linha filosófica do orientalismo, do ( budismo), que determina o fator “aqui agora” como preponderantes na vida humana. Digamos que Schopenhauer adaptou o orientalismo sem o idealismo, para sua realidade.
Para Schopenhauer o maior valor do aqui agora era sim à biologia, o estar aqui. O sentir, o amor como inevitável para sobrevivência, como instinto animal. Para o filósofo, a felicidade do futuro, era um ideal, que jamais seria alcançado. Podemos dizer que Schopenhauer era mais pragmático, isso explica a sua influencia no budismo. Ele foi o primeiro filosofo uma geração antes de Darwin e 60 anos antes de Freud, a apontar o amor como causa biológica inconsciente, seu pragmatismo, mesmo com embasamento cientifico precário, foi a meu ver um tapa na cara do romantismo fantasioso.
Para Nietzsche, a ideia de Platão era um absurdo, pois viria construir uma imagem do homem, muito superior ao que ele realmente é. Isso, segundo o filosofo viria a ser uma espécie de bomba cultural, que explodiria em forma de frustrações e sofrimento, devido à expectativa projetada na autoimagem e autoestima da pessoa, juntamente com a negação da realidade, depositando os esforços no futuro que está por vir. Nietzsche criticava duramente Platão, justamente por ter cortado o pensamento dos filósofos pré-socráticos. Ele dizia também que as bases do pensamento judaico/cristão estavam, sim, no platonismo. Para o filosofo esta linha de raciocínio era o foco do grande mal do idealismo (mal do mundo). Uma vez escreveu:
—O idealista é incorrigível, se é expulso do seu paraíso, faz o ideal do seu inferno.
Isso é uma critica a pessoa idealista, que realmente sofre uma lavagem cerebral, mesmo não sendo religiosa.
Com o surgimento da ciência temos outro enfoque, como Revolução Científica dos séculos XVI e XVII. Uma época coincidindo com o final da Idade Média e através da Renascença, do iluminismo, quando as ideias científicas em física, astronomia, e biologia evoluíram rapidamente, se adquire uma falsa ideia liberdade. Os valores divinos perdem a importância e logo são substituídos por outros tipos de sentenças, penso eu resgatados da filosofia clássica, que é o conceito felicidade. “Coincidentemente” similar ao conceito religioso/ocidental.
\Neste ponto da história a pessoa ao invés de rezar para passa sua dor de estomago, passa a tomar o remédio. E mesmo ainda acreditando em Deus, a fé fica em segundo plano, neste momento declara Nietzsche:
—Deus morreu.
A morte de Deus ao contrário do que se intercepta vem trazer o significado da ciência para o mundo moderno, que deixa a divindade em segundo plano.
A felicidade adquirida com a nova era científica torna-se um conceito pífio de ideal, assim como todos os outros, uma sentença determinística, um discurso falacioso e também sectário, pois o que se define por felicidade, ou você se enquadra, ou não será aceito, logo está fora do jogo. Na construção destes ideais estão presentes o culto ao corpo, o culto a fama, ao dinheiro, a profissão, a tecnologia e ao consumismo. As pessoas passam a definirem-se otimistas e felizes, esbaldando-se com os prazeres mais fugazes, desenvolvendo hábitos dos mais bizarros, aceitos como normais pela nova proposta de modelo de éticos e morais.
Outro ponto interessante como é a relação entre sujeito e objeto.
Esta relação, com a industrialização passa a dar a o produto valores de sujeito, os papeis são invertidos, criando uma falsa ideia de felicidade, o consumo. Esta tese foi defendida por Karl Marx, o fetichismo. O sujeito passa a ser submisso ao objeto e vice-versa. É uma teoria débil mental de Marx, mas levou a catástrofes interpretativas, que deu origem aos “comunistas e socialistas revolucionários”, que interpretaram de maneira errada o papel de transformação social, que deveria ser efeito por que estivesse enxergando mais, ou seja, quem fosse esclarecido, para uma (reforma social), não uma revolução. No entanto, pessoas apaixonadas e fanáticas que se viram injustiçadas, com um vilão em potencial (capitalismo), acharam na teoria de Marx, um motivo para dar vasão a imaginação da utopia do socialismo pleno, quando deveriam estudar uma forma de domar o capitalismo, não combate-lo. Neste caso, o ponto chave difere-se um pouco do sectarismo religioso, pois aqui há erro de interpretação, não sectarismo da proposição. Mas mesmo assim, novamente esbarramos no idealismo. Cria-se uma falsa ideia de felicidade, por algo não existente, ou inalcançável. No socialismo o tipo de pessoas que podemos encontrar, são pessoas idealistas que pregam a coletividade, a igualde social, o não consumismo. Claro que na prática é impossível, uma vez que o sistema socialista não se sustenta. Precisa girar o capital, por tanto utilizou-se de financiamento capitalista para poder sustentar seus governos. AS grandes fundações como a Rockefeller foram grandes financiadores do socialismo, visando beneficiar-se como iniciativa privada soberana, em detrimento de qualquer estado.
Em resumo, o socialismo foi uma catástrofe. Deixando de herança até os dias de hoje ditaduras nefastas como a da Coreia do norte.
Mas ainda dentro deste tema, mas agora dentro do capitalismo, que surge come a revolução industrial, para alcançar uma soberania a ponto de se tornar um “vilão”.
No contexto capitalista o tipo de pessoas que encontramos, são de ideais individualistas, porem democráticos, temos as pessoas que são consumistas e que criam um ideal de vida feliz, que consiste em ter; ter o corpo perfeito; ter a casa perfeita; roupas perfeitas; saúde perfeita e etc. Um idealismo igualmente doente, que é tido como “otimismo” também. Aqui, como dito antes, o papel do objeto passa a ter influencia direta sobre sujeito, por exemplo:
Uma mulher que vai a loja de roupas e compra um vestido, que eventualmente não lhe serve, e claro, ela não deixa de comprar. Neste momento, o objeto se torna sujeito e passa a determinar a vida da pessoa. Ao invés de deixar a calça na loja, a pessoa pensa logo em “emagrecer, academia etc.”. Este idealismo passa a ser extremamente maléfico, a pesar de ser reforçado pela mídia o contrário, para vender mais claro.
“Ironicamente se sai do espeto para cair na brasa.”
Partindo deste ponto podemos dizer que os otimistas do que se define como niilismo. Mas oque é o niilismo?
O Niilismo se trata de um conceito filosófico presente em diversas áreas da humanidade ( literatura, arte, ciências humanas, sociologia, ética e moral) É a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta ao “porquê”. Existem várias intepretações segmentadas em torno do assunto, das por alguns filósofos, ela surge com Turgueniev, posteriormente é utilizada por outros filósofos como : Friedrich Schlegel, Hegel, Nietzsche, Martin Heidegger, Ernst Jünger, Gilles Deleuze, Emil Cioran, Jacques Derrida, Jean-Luc Nancy e Gianni Vattimo.
Mas não vamos nos focar na visão destas figuras, oque nos interessa aqui é ver a visão que mais teve uma expressividade, que passa a ser a visão de Nietzsche.
Ele divide em duas classes este niilismo, vou colar aqui as duas definições:
Niilismo passivo - Segundo Nietzsche, o niilismo passivo, ou niilismo incompleto, podia ser considerado uma evolução do indivíduo, mas jamais uma transvaloração ou mudança nos valores. Através do anarquismo ou socialismo compreende-se um avanço; porém, os valores demolidos darão lugar para novos valores. É a negação do desperdício da força vital na esperança vã de uma recompensa ou de um sentido para a vida; opondo-se frontalmente a autores socráticos e, obviamente, à moral cristã, nega que a vida deva ser regida por qualquer tipo de padrão moral tendo em vista um mundo superior, pois isso faz com que o homem minta a si próprio, falsifique-se, enquanto vive a vida fixado numa mentira. Assim no niilismo não se promove a criação de qualquer tipo de valores, já que ela é considerada uma atitude negativa.
Niilismo activo - ou niilismo-completo, é onde Nietzsche se coloca, considerando-se o primeiro niilista de facto, intitulando-se o niilista-clássico, prevendo o desenvolvimento e discussão de seu legado. Este segundo sentido segue o mesmo rumo, mas propõe uma atitude mais ativa: renegando os valores metafísicos, redirecciona a sua força vital para a destruição da moral. No entanto, após essa destruição, tudo cai no vazio: a vida é desprovida de qualquer sentido, reina o absurdo e o niilista não pode ver outra alternativa senão esperar pela morte (ou provocá-la). No entanto, esse final não é, para Nietzsche, o fim último do niilismo: no momento em que o homem nega os valores de Deus, deve aprender a ver-se como criador de valores e no momento em que entende que não há nada de eterno após a vida, deve aprender a ver a vida como um eterno retorno, sem o qual o niilismo seria sempre um ciclo incompleto.
Nestas duas definições podemos ver claramente a divisão entre religião e ciência, o mundo “positivo” e o “negativo”, bem e mau. Percebe-se então que o conceito de negatividade e positividade passa a ter um caráter paradoxal, pois ora a religião é positiva, ora é negativa, e a ciência ora é positiva ora é negativa. Levando em consideração estas premissas podemos sim dizer que elas são conceitos furados, ou não aplicáveis nestes contextos, aqui eles não existem, são partes da retórica diretamente ligada a niilismo, ao idealismo. Por tanto são aproximações da realidade, não são a realidade. Quando os conceitos de bem e mau, de positivo e negativo podem ser, por assim dizer minados diretamente em suas bases, isto significa que são construções gramaticais, como apontou o mesmo Nietzsche. Sendo assim, Não se pode definir bem e mau, positivo e negativo. Podemos apenas dizer oque é prejudicial ou não, baseando-se na ocorrência do fato. Até mesmo porque o conceito de mau não existe em si, existe equivoco.
Analisando friamente na verdade pessimistas são ambos, ciência e religião. A religião quando descarta a realidade, a ciência quando descarta a metafisica. Cada um no seu grau de pessimismo.
Em minha opinião, falta para maioria das pessoas, parar para pensar. Não adianta viver nos extremos. O maior segredo está no intermediário ( com racionalidade), ninguém adquire autoconhecimento, autocontrole, seguindo qualquer tipo de tendência cientifica, consumista ou dogma. Vive-se em busca de uma felicidade inalcançável, de um ideal inatingível, tudo por conta de interpretações erradas de pessoas do passado e intepretações céticas reducionistas. O mais apavorante é que quase ninguém se dá conta disso. Não é atoa que o mal do século XX, que se alastrou como a peste negra, se chama depressão (sem falar dos outros transtornos, que estão na casa dos milhares). O otimismo dos fracos e dos fortes prevaleceu, convenceu as pessoas que elas precisam ser e ter, o que não tem e não são, e possivelmente nunca serão. Não existem apenas dois polos, acreditar ou deixar de acreditar, existe um terceiro caminho, o da ponderação, o não apego a verdade absoluta.
Estes dois polos principalmente os céticos, na maioria das vezes costumam acusar de pessimistas os possuidores da depressão, a distimia, bipolaridade, entre outras, que tratam-se de quadros patológico, cujo “doente” tem uma visão crítica do mundo, mas distorcida, principalmente no que se relaciona a autoimagem, consequentemente na autoestima, diretamente ligada a discurso ditatorial de felicidade e ideal. Uma forma de frustração e auto corrupção, com efeitos fisiológicos, puramente psicossomáticos, onde o ego não se satisfaz e parte para autocomiseração e vitimização. Sendo assim, associar o “pessimismo” com estes tipos de transtornos é uma grande falácia, uma aberração. Claro que existe um certo tipo de comportamento e pensamentos patológicos, mas como explicado antes, bem e mau, bom e ruim, positivo e negativo, são conceitos deturpados, prostituídos, para não dizer falaciosos, no máximo, poderíamos usar, para estes casos, “comportamentos prejudiciais”. Justamente porque são acontecimentos baseados em fatos, ações diretas.
Ser pessimista, a meu ver, como é um conceito falso, quando se trata de ciência e religião, não significa dizer apenas dizer que vai dar errado, que seria uma “tendência prejudicial”, significa negar ou afirmar uma realidade. O otimismo pode ser pessimismo, assim como pessimismo pode ser otimismo, depende do contexto. Por tanto, Se o conceito de otimismo pode ser aplicado, ele não é nem na ciência, muito menos na religião, está no meio termo, nem na negação nem na afirmação, mas no fato, na experiência pessoal. Por quê? Porque o meio termo é otimista com ambos, tanto com avida biológica, quanto com a transcendente. Com tudo, o que erro dizer é que quem esta nos polos é pessimista.
Por este e outros motivos, eu sou otimista, mesmo não sendo bem visto pela ciência e pela religião, pois estou no contra fluxo de ambos. Sou pessimista sim, para ambos, que utilizam erradamente os conceitos de bem e mau, certo e errado, positivo e negativo.
E você de que lado está, é pessimista ou otimista, em que contexto?

