→ 12 Sep 11 at 11 pm
”Fuja do mundo melhor”
É fato, existem temas que podem ser um tanto polêmicos ao serem abordados e combatidos, dentre estes temas, o idealismo certamente está entre eles, justamente por mexer no cerne, no âmago do ego. Muitos dizem: “precisamos de mais idealistas!” Será? Será que precisamos mesmo de mais idealistas, ou será que precisamos de pessoas mais lucidas e éticas?
Em verdade, nunca vi o idealismo com bons olhos, principalmente quando percebi que os idealistas, são possuidores de algumas peculiaridades, estas, que temos o hábito de chamar de defeitos - e assim, como grande parte das pessoas os possuem, os idealistas não fogem à regra, uma vez que também são pessoas. Mas claro, também é certo, que os idealistas, se diferem uns dos outros, justamente por possuírem - como qualquer outra pessoa - a individualidade. Eis que surge então uma questão: qual seria o ponto então, que ligaria qualquer idealista aos outros e os nivelaria por baixo? Bom, a resposta é bem simples a meu ver: o que torna todo idealista nocivo para ele mesmo e para sociedade - sem exceção - é a sua ideia de “mundo melhor”, ou de mundo “mais justo” e “igualitário”. Mas pera lá -não estaria ele sendo correto desejar um mundo melhor, levando em conta a ética e a justiça? A resposta é: sim, realmente é coerente querer um mundo mais justo e ético. Eu diria que é até inteligente pesar assim, porém, como tudo na vida, existem nuanças, isto é, existem pontos cujo quais não podemos ignorar, principalmente quando o assunto é um mundo melhor. Um desses pontos é o fato de que todo idealista ao desejar um “mundo melhor” e estar disposto, de fato, a implantar este “mundo melhor” para o resto da sociedade, ele terá um grande problema ou dilema para enfrentar.
O primeiro dilema é: que ele fará com as pessoas que não se encaixarem no seu plano de “mundo melhor”? Sim, pois os parâmetros que ajudarão o idealista selecionar os integrantes de seu “mundo melhor”, vão estar calcados, claro, nele mesmo, que por sua vez, pode ser também espelhado em um arquétipo, um mito, uma ideologia.
Com base neste ponto, podemos pensar da seguinte forma:
Imaginemos, que o idealista consiga, de alguma forma, subir ao poder e tiver em suas mãos a possibilidade de colocar em prática o seu projeto de “mundo melhor”, ele terá três saídas para concretizar seus planos: primeiro eliminar seus opositores e assim garantir a hegemonia e uniformidade de pensamento.
Segundo, conviver com eles, com o risco de sofrer um golpe ou ter de dividir a opinião; ou ainda abrir mão de uma parte da realização seu ideal, o que se torna paradoxal, pois para garantir um “mundo melhor”, não pode haver uma oposição que deseje o mundo como ele é ou está.
Terceiro, comprar toda a oposição com cargos de confiança, dinheiro e poder.
Agora pergunta que não quer calar: isso lembra alguma coisa na nossa história?
Vamos listar quatro casos clássicos: nazismo, comunismo, fascismo.
Eu costumo dizer que detesto este sufixo “ismo”, pois por conta de muitos “ismos” que grades desgraças aconteceram e baseado nestes fatos, há de se concordar, que tenho minhas razões, muito bem fundamentadas, aliás. Todos estes sistemas centralizadores de poder que citei e muitos outros que deixei de citar, em algum momento da história quiseram ou - ainda querem - fazer um “mundo melhor”, e liderados por idealistas, acabaram ou acabam por promoverem o inevitável: destruição e genocídio. Em especial o nazismo e o comunismo - os movimentos cultuais, ou anti-culturais, que considero mais nocivos para a humanidade - são frutos da mesma arvore do terror igualitário: à revolução francesa. Sim, a revolução francesa, essa mesmo da (Liberté, Egalité, Fraternité) liderada pelo S.r. - Maximilien de Robespierre e sua afiada guilhotina - esta que posteriormente produziu o comunismo, este que por sua vez criou o fascismo e o nazismo - e ambos, tanto o nazismo como o comunismo - mataram juntos, em nome do seu ideal, mais de 100 milhões de pessoas. O comunismo em nome do proletariado e a “igualdade” e o nazismo em nome da raça pura e a “igualdade” nacionalista. Desde a publicação do ‘manifesto comunista’, através de Hegel, Karl Marx e Friedrich Engels, a revolução do proletariado, motivados por uma “guerra de classes” inexistente ou que - só existe na cabeça do marxista revolucionário - tem criado muitos monstros idealistas, como: Adolf Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung, Lenin, Mussolini e muitas outras deformidades, como nosso ex-presidente Lula.
Já dizia Nietzsche, sabiamente e com eloquência: “o idealista é incorrigível, se é expulso de se céu, faz o ideal de seu inferno”.
Muitos desses idealistas não fazem o mal pelo puro mal, isto é, na cabeça deles estão fazendo um “bem para humanidade”, além, claro, de estarem bem fundamentados ou manipulados por pessoas realmente cínicas e psicopáticas, que sabem o que estão fazendo: os intelectuais. O maior problema do idealista é que, muitos deles - senão todos - são alienados, não sabem o que é humanidade, não sabem o que é certo e errado, não sabem o que é justiça e não sabem o que é democracia, ou seja, possuem uma visão anacrónica e deformada da realidade. A mentalidade revolucionária a meu ver pode ser comparada a uma psicose induzida, pois individuo delira e pró de algo que não existe e talvez nunca venha a existir, a não ser em sua mente doente e na mente de quem idealizou tal ideologia. Vale salientar aqui, que muitas vezes nem mesmo quem idealizou as teorias malucas acredita de fato nelas - é o caso de um grande conhecido nosso o Maquiavel.
Maquiavel, segundo Olavo de carvalho, era um perdedor, que se aliava sempre aos perdedores e que acabou muito mal, vivendo de favores do Papa. No entanto vemos muitos políticos que seguem a risca sua cartilha psicótica.
Penso eu, em minha ignorância primata, que se um dia for possível um mundo melhor – fugindo totalmente da visão idealista - ele somente se dará gradativamente e naturalmente - quando houver uma ética universal e uma lucidez uniforme, o que é impossível no mundo em que vivemos hoje, este que é dominado pela irracionalidade, o sentimentalismo e o egocentrismo, beirando o subumano. Fica então o meu alerta aqui registrado , quando estiver perto de alguém exasperado e este mesmo alguém, venha pôr-se a deblaterar, em pró de um “mundo melhor”, fuja e se esconda o quanto antes, pois ai vem um idealista. Se ainda preza pela sua liberdade relativa - capitalista e liberal - que ainda possuímos aos “trancos e barrancos” fuja do “mundo melhor”!
Imagem ilustrativa do filme: The wave

